Setor de borracha desenvolve selo de sustentabilidade para competir com Ásia

30/07/2018
Setor de borracha desenvolve selo de sustentabilidade para competir com Ásia

Boas práticas garantem ao país índices de produção 20% superiores à média mundial

Os produtores brasileiros de borracha se mobilizam para desenvolver um certificado nacional de cultivo sustentável dos seringais que permita agregar valor ao látex nacional e competir com a produção asiática.

Boas práticas dos seringais nacionais garantem ao país índices de produção 20% superiores à média mundial, de 1,2 toneladas de borracha seca por hectare. O cultivo nacional, porém, representa só 1,5% do mercado mundial.

As técnicas vão desde a gestão correta da exploração da borracha, que envolve controle de pragas, técnica adequada de sangria e coleta do látex, ao uso de hormônios estimulantes para potencializar a extração e a contratação de mão de obra especializada e treinada. 

“Os produtores brasileiros respeitam a frequência ideal dos cortes nas árvores e fazem a recuperação das sangrias perdidas com as chuvas e o melhoramento genético dos clones das seringueiras”, explica o agrônomo Cesar Savoia, diretor técnico da Associação Paulista de Produtores de Borracha (Apabor). 

Na Ásia, responsável por 92% da produção mundial, o cultivo é majoritariamente de subsistência, realizado em áreas pequenas e pouco regulamentadas.

Mais da metade da borracha nacional sai de São Paulo, de pequenas propriedades como a de Luis Murbach, 48, localizada em Corumbataí.

Ele plantou 3.000 pés de seringueiras em 3.000 hectares, há nove anos. Só agora as árvores estão prontas para a extração. “Só conseguirei receber o dinheiro investido depois de sete anos de produção. Quando o seringal é novo, rende apenas 40% de seu potencial”, explica.

Para Diogo Esperanti, diretor da Apabor, a borracha nacional caminha para se transformar em um produto com maior valor agregado. “O país tem capacidade de oferecer o maior volume de borracha certificada do mundo, basta apenas certificá-la.”

Esperanti estima que o selo valorizará o preço da borracha brasileira em 30%.

A criação da certificação foi aprovada pelo governo em abril passado. Os critérios para a obtenção do selo, contudo, ainda serão definidos por uma comissão técnica formada por representantes do setor. Não há previsão de implantação no mercado. 

Segundo Fernando do Val Guerra, presidente da Câmara Setorial da Borracha Natural e diretor da Associação Brasileira de Produtores e Beneficiadores de Borracha Natural, a previsão é que tudo seja definido até o fim do ano.

“É mais simples do que certificar um alimento, por exemplo, que sofre maiores regulamentações. Além disso, os produtores já estão se organizando no campo para a certificação”, diz Guerra. 

Fonte: Folha de São Paulo

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