Matérias-primas de origem biológica para borracha avançam rumo ao desenvolvimento industrial

31/08/2026
Matérias-primas de origem biológica para borracha avançam rumo ao desenvolvimento industrial

A indústria da borracha está em busca de novos caminhos para reduzir a dependência de matérias-primas fósseis e ampliar o uso de fontes renováveis. Nesse movimento, um projeto europeu pretende transformar resíduos de pão e batata em componentes utilizados na produção de borrachas sintéticas, avaliando o potencial da biotecnologia para atender às exigências da indústria de pneus. 

A iniciativa surge em um cenário de mudanças na cadeia de fornecimento da borracha. Embora a borracha natural continue sendo essencial para aplicações como pneus de caminhões, ônibus e veículos fora de estrada, desafios relacionados à rastreabilidade, origem da matéria-prima e impacto ambiental têm levado o setor a buscar novas alternativas. 

Já as borrachas sintéticas, apesar de reduzirem algumas preocupações relacionadas ao cultivo da borracha natural, ainda dependem principalmente de matérias-primas derivadas do petróleo. Por isso, fabricantes de pneus enfrentam o desafio de encontrar soluções que conciliem desempenho técnico, segurança no fornecimento e menor impacto ambiental. 

É nesse contexto que surge o projeto RUBBIO, que busca desenvolver novas cadeias de valor para borrachas de origem biológica. A iniciativa utiliza resíduos de pão e batata ricos em amido como matéria-prima para processos de biomanufatura capazes de gerar compostos químicos e monômeros utilizados na produção de três tipos de elastômeros: polibutadieno (BR), borracha nitrílica (NBR) e borracha de estireno-butadieno (SBR). 

Além de dar uma nova finalidade a resíduos alimentares, o projeto busca demonstrar a viabilidade de uma cadeia circular em escala industrial. A expectativa é utilizar mais de 1.500 toneladas de resíduos de pão e batata por semana como fonte para esses novos materiais. 

A busca por matérias-primas renováveis, no entanto, ainda envolve desafios. Para serem incorporados pela indústria, esses novos elastômeros precisam manter características fundamentais, como resistência, durabilidade, desempenho mecânico e estabilidade durante o processamento. 

Dessa forma, o futuro da borracha provavelmente não será baseado em uma única alternativa, mas na combinação de diferentes soluções, incluindo matérias-primas renováveis, materiais reciclados e fontes tradicionais produzidas de forma mais responsável. 

O desenvolvimento de novas rotas para a produção de elastômeros mostra como a indústria da borracha está passando por uma transformação, buscando unir inovação, sustentabilidade e desempenho para atender às demandas das próximas décadas. 


Fonte: Tyre News 

Imagem: Canva

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